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Galgo: Uma experiência sul-americana no mundo das minis

Recentemente eu estive no imenso edifício-garagem de miniaturas do nosso companheiro de blog, mestre Moacy Neves e vi uma coisa que me fez voltar, pelo menos duas décadas atrás; um furgão GMC preto, com detalhes vermelhos! Calma nobre torcida do Vitória, não era a miniatura de um antigo ônibus do clube e sim o legítimo, porém plástico, Furgão do Esquadrão Classe “A”!!…01 Esquadrão Classe A

Sim senhores; o famoso furgão que talvez fosse mais importante que o pessoal que o usava para dar o “pinote” sempre que a aventura do enlatado, com o mesmo nome, terminava; certamente, pois quem é jovem da “pós-adolescência” como eu, lembra-se muito bem que eles eram fugitivos do exército americano por crimes de guerra que não cometeram…. Quem não se lembra do “B.A.”, do Murdock, Capitão Hannibal, Cara-de-Pau, Amy Allen?

Se diz não se lembrar, é mentiroso & rancoroso, pois a série era muito interessante e cômica; aliás, eu tenho algo em comum com o B.A.: O medo infinito de avião! Tá bom, tá bom… Sacaneiem bastante, Premonição 1 esta aí pra comprovar…

Bem, voltando ao esquadrão e o furgão e a minha emoção (pô, quanto “ão”…!); fiquei lá, meio que na paquera com o carrinho (escala 1:43) meio receoso de fazer uma oferta… Sei lá, sabe-se realmente se Moa ia querer vender? Mas daí, tomei coragem, fiz uma oferta e pimba! Moacy fechou a venda! Pensem num “pinto no lixo”, era eu de tanta alegria! Peguei o carro, olhei, reolhei, triolhei… Examinei todo, de cabo a rabo e apesar de ser plástico, contrariando minha coleção praticamente 100% de zamac, fiquei prá lá de satisfeito! Mas tinha uma coisa interessante, digo duas coisas; a primeira, o carro tinha o adesivo “Brigada A” e não “Esquadrão Classe A”, deduzi que era voltado ao público hispânico, uma olhada mais detalhada e vi de onde era: Argentina! Vixe…

Nossos “hermanos” fabricando minis… Achei aquilo tão inusitado que resolvi pesquisar sobre o fabricante, uma certa GALGO e, abaixo, um breviário sobre a empresa que me surpreendeu!

Indústrias Galgo era um fabricante de modelos die-cast da Argentina. Além de modelos em 1:43 e 1:64, Galgo também fez uma série de modelos em escala (quase) 1:87 na década de 1970 e 1980. Não é completamente claro quando a empresa encerrou a produção, mas seus últimos lançamentos parecem ter sido por volta de 1985.
Bob Frasinetti diretor do Museu do Brinquedo de Buenos Aires, enviou para o site http://www.87thscale.info/ a seguinte informação de fundo importante sobre a Galgo que responde as perguntas que ainda estavam em aberto.

Galgo da Argentina:

Durante a década de 70, a Galgo foi um dos mais importantes fabricantes de die-cast na Argentina. Entre 1971 e 1975, a  Galgo cresceu a uma taxa fantástica, não só em termos de negócios, mas também em termos de qualidade dos seus produtos. Entre os seus primeiros modelos, encontramos caminhões de pequeno porte que, embora não muito atraentes, eram a pedra fundamental que alicerçava o seu negócio. Estes primeiros modelos eram principalmente utilitários e caminhões de entrega de materiais como madeira ou gás.
Entre os muitos caminhões Galgo desenvolvidos, há um em especial que chamou a atenção dos colecionadores de die-cast em todo o mundo. O modelo Scania, produzido durante os primeiros anos da década de 1980, apresenta uma dimensão pouco usual no mercado die-cast, porque foi feito em escala 1:87. Este é um fato interessante de se levar em consideração, porque a Galgo foi a única empresa a produzir die-casts em 1:87 na época. Mesmo Buby, que era o principal argentino de miniaturas, desenvolveu apenas um set em uma escala semelhante. A Série 200 da Colecção Buby foi feita em escala 1:90.
Junto com os primeiros caminhões, veio o resto dos modelos Galgo produzidos e é absolutamente claro para todos, que os modelos de carros de corrida formaram a maior parte da produção Galgo. Literalmente qualquer tipo de carro que pode ser visto em qualquer corrida, estava de pronto produzido pela Galgo. Cada um destes modelos foi uma reprodução cuidadosa dos acessórios originais e adesivos, pára-choques e outros, foram feitos com maestria pela Galgo.
Mais tarde, Galgo também fez outros modelos die-cast. Estes foram, como os colecionadores de todo o mundo se referem a eles, os “Hollywood die-casts”, o que significava que a série apresentou modelos de automóveis que apareceram em filmes e séries de TV. No entanto, a produção principal Galgo consistia em modelos de carros de corrida e, durante seus primeiros dias, de modelos de caminhões.
Ao pesquisar a história do Galgo, fica evidente o fato de que as marcas italianas de automóveis, foram uma parte importante da produção da empresa e era algo em que realmente se destacou. Ao tentar encontrar o motivo para isso tentamos entrar em contato com aqueles que tinham sido proprietários de miniaturas Galgo durante a década de 80. Isso, no entanto, era impossível, pois não havia nada sobre eles e, por esse motivo, não houve pistas a seguir. Até que uma tarde, quando se falava de Buby, um pouco deste mistério foi revelado. Sobre a Buby, como percebemos, após essa entrevista, quase nada se sabia dessa indústria die-cast na época, e revelou-se que os irmãos Pecareck, a mente e as mãos por trás da Galgo, teve uma unidade de produção localizada no norte da Itália na década de 1980, onde quase 80 % das suas peças fundidas foram feitas. De repente, seu fascínio pelos fabricantes de carro italiano ficou muito claro.

Apesar do sucesso que a Galgo tinha, a empresa de repente, desapareceu do mercado em 1985. Muitos se perguntam o que aconteceu, por que a parada abrupta da produção prolífica e tal… A chave para entender esta lacuna na produção da Galgo (nos últimos anos a empresa foi vendida para uma nova indústria que quer experimentar e reviver os anos dourados) é a história da Argentina. Se lançar um olhar sobre as mais importantes pequenas e médias empresas na época (especialmente no que diz respeito à produção de brinquedo) percebe-se que muitas delas desapareceram. Naquela época, quando a Argentina estava retornando a um sistema de governo democrático após muitos anos de ditadura militar, a economia estava em uma situação muito crítica. Logo após o novo presidente ser eleito, a economia argentina caiu e um processo complexo e profundo de inflação ocorreu. Devido ao colapso econômico, inúmeras pequenas e médias indústrias com baixas margens de lucro foram à falência. Nós não fomos capazes de estabelecer se Galgo tinha ido à falência, ou se os seus proprietários venderam antes que as coisas ficassem muito feias. A situação econômica daquele momento, foi um fator chave para explicar a parada súbita da produção da Galgo.

Agradecimentos a Bob Frassinetti, do Museu do Brinquedo de Buenos Aires, Argentina, e ao site http://www.87thscale.info/ pelas excelentes informações, não somente sobre a Galgo, mas também sobre outros fabricantes de miniaturas pouco conhecidos.

E…. Uêba! O bichinho roda legal com seus pneus de borracha!!!!

Emerson

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