25
nov
09

COLECIONADOR É CAÇADOR EM TODO CANTO!

E em toda oportunidade também!

Mas, em primo lugar, queria pedir desculpas aos meus fãs (dois precisamente: meu irmão Victor e o porteiro do meu prédio, seu Jorge, que acha que escrevo para ‘O Globo’.) por me ausentar a semana passada por motivo de aperto de fim de semestre na faculdade que tem, por infelicidade, eu lecionando…

Mas cá estou de volta e agora, para infelicidade de vocês!!!! Hehehehehehehehe


Como falava acima sobre oportunidades, estava eu, esse excelente colunista, em viagem para Alagoas, mais precisamente União dos Palmares, onde no dia 20 de novembro se comemora o dia da Consciência Negra relembrando os 314 anos da morte de Zumbi que foi, na minha ótica, um dos poucos heróis brasileiros de verdade.

Qual é!! Eu não sou só um cara lindo, tem muita cultura no lance!

O local do quilombo, a Serra da Barriga tem uma excelente paisagem, apesar da caminhada de não sei quantos quilômetros a pé, de subida, tendo os amigos e sol alagoano (de uns 300° à sombra) como companhia…

Lá em cima, visitei importantes sítios arqueológicos, conheci várias gatinhas, tirei fotos, passei mal e fui atendido pelo Samu, na verdade por uma enfermeira gata do Samu, da qual tirei fotos também; afinal bandido que se preza, é bandido!! Hehehehehehehehe

À noite, bebemos todas ao som da Tribo de Jah e, ao voltar para a nossa pousada, mais cambaleante que idoso no convés do Titanic, passei na frente de uma lojinha de presentes de lá; pense num cabra com Olho de Tandera! Mesmo manguaçado, bati o olho na vitrine e vi uns poucos Hotwheels expostos lá; como eram quase 4 horas da madruga, resolvi voltar mais tarde, já que a idéia de dormir na porta da loja foi rechaçada pelo pessoal que estava comigo…

Numa ressaca que faria inveja a Amy Winehouse, lá pelas 8:00 fui até a loja de onde foi ouvido o seguinte diálogo:

– Bom dia moça; você teria mais Hotwheels que aqueles da vitrine?

– ‘Rotuiles’? Num sei… Maria! Tem mais ‘rotuiles’ lá dentro?


– Tem, mais ‘é’ o mesmo que tem aí na vitrina…

– Mas sou colecionador e aqueles já tenho…

– Óia! (acompanhado de risinho sínico de grátis) Ele coleciona carrinho…!

– É… Coleciono, mas muitos outros marmanjos também, só que dizem que são pros filhos…

– Moço, o senhor acha que alagoano coleciona ‘rotuiles’? Só as crianças mesmo.

– Coleciona, mas não assume, claro!

– O senhor é de onde?

– Bahia.

– Ahhhh…. Logo vi….

Bom, não entendi aquela colocação acompanhada de mais um risinho de canto de boca; o que ela queria dizer com aquilo? Bom deixa pra lá…

– Tem ou não tem mais?

– Já disse pro senhor que são os mesmos da vitrina…

– Moça, em toda caixa tem um ou dois que são diferentes, preciso ver essas caixas…

– Só tem uma!

– Traga…

– O senhor vai ver que é a mesma coisa, melhor nem pegar…

Minha ressaca, a ironia do “ele é baiano” e a presteza delas, estavam ativando em mim, o psicopata que há em todo mundo…

– Moça, pode ou não, creio que você queira vender, pois quero comprar…

Bem a contragosto, uma delas foi buscar a caixa, pensam vocês que era em cima de uma escada, ou dentro de um porão, ou ainda atrás de uma geladeira, ou trancada num cofre? Que nada! Ela deu dez passos, se abaixou atrás de uma porta e trouxe a caixa…

Abri ouvindo um “duvido que ache algo que não tenha na vitrina” e… Tcharannnn……

Estava lá, palosão, marrom metálico e white line: Um Mercury 1949 TH$!!

– Olhaí! Achei um que quero!

– Mas moço, é igual a um que tem lá na vitrina…

– Não entrarei em pormenores com vocês (até porque nem sei se elas sabem o que é ‘pormenor’), mas colecionador vê detalhes que a maioria não vê…

– Ahhh Maria… A rodinha é branca.

– Oxi Ana, o outro também!

– Verdade!

– Mas moças, a pintura desse é mais brilhante e a rodinha é muito diferente.

– É verdade Maria, mas vocês que colecionam vêem coisas miúdas mesmo, nunca veria isso, o senhor gosta mesmo de carrinhos!

Mais uma vez o sorrisinho irônico…

Paguei, saí e não resisti a uma foto na porta da loja; era muito exótico mesmo, uma cidadezinha bucólica e aprazível, porém pequenina, com uma lojinha de presentes também pequenina com apenas uma caixa de Hotwheels, achar um TH$…

Muita coincidência, ou muita cagada mesmo…

Termino (para alegrias de vocês) agradecendo ao bom povo alagoano pela recepção excelente, à UFBA pela oportunidade única da excursão para lá e à minha sorte para achar o “Terrante Super”!!!

Só não me sai da cabeça o risinho irônico quando falei que era baiano, será que ela quis dizer que sou preguiçoso?

– Ahhh… Logo vi…

Hahahahahahahahahahahahahaha

Emerson Jambeiro é designer, prof° universitário e freqüentador assíduo do bar de seu Zé Perninha.

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