16
dez
09

É NATAL, É NATAL, UM CARRINHO NÃO FAZ MALLLLL…

Buenas a todos!

Espero que o espírito de natal os contagie e etc, etc, etc….

Bão, mas o que o papai Ganso aqui quer contar a vocês hoje é a história do primeiro Matchbox que estacionou na minha estante há priscas eras: o Big Bull Superfast de 1975.

Corria o ano da graça (se é que ano corre; a gente é que corre atrás e nunca alcança zorra de nada…) de 1978 e, ao fim do ano, renovavam as expectativas para 1979 e tal… Chegaram as férias! E meu velho, vendo que eu passara de ano com excelentes notas (naquele tempo eu estudava, gente! Incrível!), prometeu me trazer pela primeira vez a Salvador. Caraca! Um pobre caatingueirinho, barrigudo & zoiudo na capitá!!! Pensem aê?

E foi o que aconteceu; viemos, minha velha, meu velho e eu, a tabosa de minha irmã Ade só contava (ou melhor, nesse tempo ainda não contava) dois aninhos e ficou na roça e o mais novo, Vitão ainda tava “balançando no saco”, como dizemos na terrinha…. Hehehehehehehehehehe… Viagem perfeita!

Mas vamos adiante, ou melhor, ao passado; a viagem foi tranqüila, meu pai era agente financeiro do Dptº de Estradas da Bahia e veio a trabalho, eu e minha mãe, a passeio e ficamos na praia enquanto o velho ‘batia o prego’ na sede da repartição; à tarde fomos ao Iguatemi, esse ainda “xêrando a leite”, pois tinha sido inaugurado a pouco tempo, 1975, pra ser mais exato e estava comemorando 3 anos de vida; nem preciso dizer que tava mais cheio que trem indiano ou barco amazonense, quase os véios me algemam a eles…. risos.

Finalmente depois de andar mais que peregrino de Santiago de Compostela e sofrer mais que sovaco de aleijado quando a feira é longe, lanchamos; não sem antes passarmos por todas as lojas de roupa, sapato, livraria; eu tava ‘virado num móio de coentro’, todo mundo satisfeito e eu? Pô, natal, essas coisas, presente, brinquedo… Aí ouvi de minha mãe o que tava desejando desde cedo, por favor, não entendam isso como marketing, mas é porque foi nessa loja onde começou minha febre:

– Vamos nas Americanas!

Caras, pensem num urubu na carniça…! Quase que me perco deles na correira pro interior da velha e famosa loja!

Mas daí, mais uma vez, roupa, livro, agora discos, coisas pra casa e eu nada… – Mas que m#$%@! – eu pensei, pois se falasse tava de boca inchada na hora e de prótese na frente hoje – Ô povo chato pra fazer compras, só pensam neles!

Quando menos esperava, cheguei no porto seguro da petizada; a parte dos brinquedos…! Mes amis, periquito não come melado, mas quando come, se lambuza; nunca vi tanto brinquedo junto na minha vida! Até porque tinha pouco tempo de vida ainda (seis anos) e o máximo de brinquedos em minha terra natal, era numa prateleira do supermercado Pingüins. Era coisa de encher os olhos e a alma; vi carros de controle semi-remoto (era um tempo remoto, perdoem…), carros de lata, plástico soprado, abs e finalmente cheguei na estante fechada dos sonhos de todo meninim de minha época: Os tão almejados Matchbox!

Putz! Não tinha palavras pra expressar; eram perfeitos, únicos e…. Caros! Lembro que ao olhar pra estante também, minha mãe não gastou um segundo e nem mais que uma palavra, o tradicional “vixe!” acompanhado de uma careta de carestia e uma meia volta providencial e eu lá, parecendo um leão olhando a zebra… meu pai chegou, olhou, disse o “vixe!” mas lembrou de me ver, vidrado, as belas maquininhas….

Vendo que eu não sairia de lá por nada e minha mãe já gritando um colérico “Fernando! Arrasta esse menino daí que tá tarde!” tascou:

– Quer um?

– Posso?

– Um, pode…

– Quero o trator!

– Rapaz, pega a viaturinha, ou a ambulância…

– Quero o trator! Só pode um?

– Só.

– Quero o trator!

– Tá bom abestado… Moça! Abre aqui pra mim e pega esse tratorzinho estranho aí, por favor… Pronto bestinha; taí seu trator!

Pessoal, foi como, hoje, me dar uma barra de ouro…!

Peguei com um cuidado, uma atenção tão grande que parecia mais estar com um bicho de estimação e não com um carrinho de zamac nas mãos…

Não é preciso dizer o que veio depois, viajei com ele na mão, dormi com ele ao lado e mostrei pros amigos no outro dia; eita moral…! Todo mundo querendo ver o famoso “métiboquis”.

O tempo foi passando e meu pai continuou a comprar tratores, depois carros de passeio, carrinhos de montar Revell e muitos outros… Hoje esses e mais os comprados já por mim somam mais de 3.300 carrinhos na garagem; mas o carinho especial vai para o velho Big Bull que, além de ser o decano da coleção, ainda existe e tem lugar de destaque nela. Uma relíquia para mim e o pontapé inicial para os outros carros adquiridos; obrigado ao meu velho pelo presente e feliz natal a todos!!!

Emerson Jambeiro é designer, professor universitário e ainda não desenvolveu Alzheimer.

Anúncios

0 Responses to “É NATAL, É NATAL, UM CARRINHO NÃO FAZ MALLLLL…”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: